Tendências · Custos 2026
Custos da construção em 2026: o que subiu, o que estabilizou e o que revisar no orçamento
O INCC-M não conta a história completa. Aço, mão de obra e fôrma divergiram do índice. Faixas por insumo e checklist de revisão pra engenheiro de obra em Curitiba.

A planilha que fechou viabilidade em 2024 não é a mesma que fecha em 2026. O INCC-M (Índice Nacional de Custo da Construção — Mercado) subiu entre 7 e 9% nos 12 meses encerrados no 1º semestre de 2026 — mas esse número compõe materiais, mão de obra e despesas gerais em proporções que raramente batem com o perfil de uma obra predial de estrutura densa. Aço e mão de obra qualificada rodaram bem acima do índice. Cimento e revestimento ficaram abaixo. Quem orçou em bloco perdeu o sinal que importava.
Em mais de 30 obras de estrutura predial atendidas em Curitiba e litoral do PR — com mais de 30 mil m² de fôrma executados com equipe CLT própria —, a Shark acompanha variação de custo em tempo real de canteiro: o que chega diferente na nota fiscal, o que o mestre pede quando falta, o que o engenheiro de incorporadora revisou na última rodada de orçamento. O texto abaixo é a leitura desse dado, com faixas defensáveis de mercado e sem precisão que não temos.
INCC-M 2025-2026: por que o índice agregado não é o bastante
O INCC-M mede a variação de custo do setor de forma agregada — inclui desde fundação até acabamento, em tipologias diversas, em todo o Brasil. Para obra de estrutura predial em concreto armado em Curitiba, a composição de insumos é distinta: peso alto de aço (armação), concreto usinado, fôrma e mão de obra especializada. Quando esses insumos específicos sobem acima do índice, o contrato atrelado ao INCC-M descalibra.
O ponto prático: cláusula de reajuste atrelada apenas ao INCC-M protege contra a inflação média do setor, não contra a variação real dos insumos críticos da obra. Fornecedor que viu custo subir acima do índice vai negociar descasamento — ou vai absorver a diferença na produtividade, o que o gestor de canteiro sente antes de ver no boleto.
Tabela de variação por insumo em 2026 — faixas para Curitiba
Faixas de variação estimadas para o mercado de Curitiba, consolidadas de fornecedores, construtoras parceiras e referências Sinduscon-PR/CBIC. Use como ordem de grandeza na revisão de orçamento — não substitui cotação com fornecedor atualizada nos últimos 30 dias.
- 01Aço CA-50 e CA-60 (armação): alta de 10 a 18% no período 2025-2026, puxada por variação cambial e demanda de infraestrutura. Insumo com maior impacto em projetos de estrutura densa. Faixa atual em Curitiba: R$ 7,20 a R$ 8,80/kg posto no canteiro.
- 02Mão de obra de estrutura (CLT — carpinteiro e armador): alta de 12 a 20% acima do piso sindical 2024-2025. Ajuste de mercado por disputa de profissional qualificado, não por convenção coletiva. Empreiteira que não revisou a tabela está perdendo profissional — e o turnover aparece no prazo do pavimento.
- 03Aluguel de fôrma metálica: alta de 8 a 12%, mais de prazo e logística do que de custo de aço. Locadoras com capacidade apertada cobram por disponibilidade garantida, não só por m² locado.
- 04Concreto usinado FCK 25-35 MPa: alta de 5 a 8%, estável no 1º semestre de 2026. Concreteiras ajustaram mix de insumo mas seguraram margem com volume. Faixa: R$ 380 a R$ 460/m³ bombeado em Curitiba.
- 05EPI e segurança do trabalho: alta de 6 a 10%, puxada por capacete e luvas de proteção com abrasão. Impacto menor no orçamento global, mas relevante em obras com equipe acima de 40 pessoas.
- 06Cimento (saco 50 kg): variação de 3 a 6% — um dos insumos mais estáveis do período.
- 07Revestimento cerâmico e gesso: estabilizou. Demanda aquecida mas oferta nacional reequilibrou. Sem variação relevante nos últimos 12 meses.
- 08Tubos e conexões PVC (instalações hidráulicas): queda de 2 a 5% após normalização da petroquímica. Janela favorável para cotação.

Mão de obra: o insumo que mais saiu do índice
De todos os itens da tabela, mão de obra qualificada de estrutura é o que mais divergiu do INCC-M. O índice captura a variação do piso sindical negociada em convenção coletiva — mas o mercado de Curitiba em 2026 está pagando 12 a 20% acima do piso pra garantir carpinteiro de fôrma e armador com disponibilidade imediata e experiência em estrutura densa. A diferença não aparece no INCC porque não é obrigação convencional: é ajuste de mercado por escassez de profissional.
O impacto no orçamento de empreitada é direto. Empreiteira que cotou com base em piso de 2024 e não revisou está absorvendo a diferença na margem — até a margem acabar. Quando acaba, o cronograma para. Em obras com Constrentin, THA, Piemont e DHS em Curitiba, a Shark opera com 100 colaboradores CLT e mantém cadência documentada de 7 a 10 dias por pavimento em prédios de planta convencional. Equipe subcalibrada no orçamento vai pra 14 a 18 dias e não entrega o cronograma prometido — independente do que diz o contrato.
O que estabilizou — e onde há janela de cotação
- —Revestimento cerâmico e porcelanato: sem alta relevante no 1º semestre de 2026. Bom momento pra fechar volume com fornecedor.
- —PVC hidráulico: queda de 2 a 5% após normalização petroquímica. Se a obra entra em fase de instalações no 2º semestre, cotar agora pode travar preço melhor.
- —Cimento: variação abaixo do INCC-M. Estoque regulatório das cimenteiras segurou preço.
- —Esquadrias de alumínio: estável, sem reajuste de porte nos últimos 6 meses. O gargalo é prazo de produção — não preço.
- —Tinta e massa corrida: variação dentro do INCC. Sem impacto relevante fora do índice.
Leitura operacional: o custo que rodou acima do índice exige revisão de orçamento antes de fechar proposta. O que estabilizou pode ser âncora na negociação. Obras que travaram tabela de materiais nos últimos 6 meses com base nesses itens têm vantagem de planejamento pra 2º semestre.
Checklist de revisão de orçamento antes de fechar contrato em 2026
- 01Separe o orçamento por categoria: materiais pesados (aço, concreto, fôrma) e mão de obra em linha separada. Custo global por m² esconde o que subiu mais.
- 02Refaça cotação de aço dentro dos últimos 30 dias. Cotação de 6 meses atrás é dado desatualizado — aço é o insumo com maior volatilidade do período.
- 03Peça proposta de empreiteira com composição de custo de mão de obra separada do BDI. Sem composição, você não sabe o que está comparando entre propostas.
- 04Inclua cláusula de reajuste de mão de obra vinculada à convenção coletiva mais variação de mercado documentada, com revisão semestral. Contrato sem reajuste explícito em obra de 18+ meses vai descalibrar.
- 05Revise o prazo de mobilização da empreiteira no custo financeiro do orçamento. Atraso de 2 semanas no início por falta de equipe disponível representa R$ 30 a 60 mil em custo de capital em empreendimento de porte médio em Curitiba — fora o efeito cascata no cronograma.

Em 30+ obras prediais com mais de 30 mil m² de fôrma executados, o padrão que a Shark vê repetir é direto: o orçamento que falha raramente erra no insumo principal. Erra na mão de obra descalibrada, no prazo de mobilização subestimado ou num insumo secundário que ninguém revisou desde que a viabilidade fechou. A tabela e o checklist acima existem pra que esse erro apareça antes do contrato — não depois do 4º pavimento.
Perguntas frequentes
O que ainda costuma ficar em dúvida.
O INCC-M de 2026 reflete o custo real de obra predial de estrutura em Curitiba?+
Parcialmente. O INCC-M mede variação média nacional em tipologias diversas. Para obra predial de estrutura densa em Curitiba, os insumos de maior peso — aço CA-50/60, mão de obra especializada, fôrma metálica — variaram acima do índice agregado no período 2025-2026. Contrato atrelado apenas ao INCC-M protege da inflação média do setor, mas não cobre o descasamento real dos itens de maior custo na estrutura.
Quanto subiu o aço para armação em Curitiba em 2026?+
Estimativa de mercado: 10 a 18% de alta no período 2025-2026. A variação foi puxada por oscilação cambial e demanda de obras de infraestrutura federal que pressiona a capacidade das siderúrgicas nacionais. A faixa atual de cotação em Curitiba para CA-50 e CA-60 está entre R$ 7,20 e R$ 8,80/kg posto no canteiro. Confirme com distribuidora local nos últimos 30 dias — o aço tem volatilidade mensal relevante.
Por que o custo de mão de obra de estrutura subiu acima do INCC em 2026?+
O INCC-M captura variação do piso sindical negociado em convenção coletiva. O que aconteceu em 2026 é diferente: o mercado de Curitiba está pagando 12 a 20% acima do piso para garantir carpinteiro de fôrma e armador com disponibilidade imediata. Essa diferença é ajuste de mercado por escassez de profissional qualificado — não por obrigação convencional. Ela não aparece no INCC, mas aparece no orçamento da empreiteira que revisou a tabela salarial pra não perder equipe.
Como indexar contrato de empreitada para proteger do reajuste de custo de mão de obra?+
Inclua cláusula de reajuste composta: variação da convenção coletiva do setor (SINDUSCON-PR para o Paraná) mais cláusula de revisão de mercado documentada, com revisão semestral e limite de aplicação. Para contratos de 18 meses ou mais, inclua data de referência inicial de preços e percentual máximo de reajuste por ciclo — sem essa trava, a cláusula pode ser interpretada sem limite. Para mão de obra CLT com equipe própria registrada, o histórico de reajuste é documentável e auditável.
Há insumos de construção que ficaram mais baratos em 2026?+
Sim. Tubos e conexões de PVC para instalações hidráulicas tiveram queda de 2 a 5% após normalização da petroquímica, e revestimento cerâmico estabilizou sem alta relevante. Cimento também variou abaixo do INCC-M. Esses itens oferecem janela de cotação vantajosa no 2º semestre de 2026 — especialmente PVC, onde o preço atual tende a reajustar quando a demanda de obras retomar no 1º trimestre de 2027.
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